COMPOTA DE CAPUCHO

Capuchos #1
Capuchos #1

Esta foi a primeira compota que fiz. Confesso que não sou grande apreciadora dos physalis, como-os com moderação, poucos de cada vez, que quando fui presenteada com uma grande quantidade deles, só podia fazer uma coisa: experimentar o doce. Fiz então uma pesquisa na Internet e li várias receitas de physalis. Pude constatar que havia mais pessoas como eu, não amantes deste fruto e que mudam a sua opinião quando degustam o doce. Foi uma boa surpresa, agora já sei bem o que fazer quando o meu rapaz os voltar a trazer cá para casa.

Capuchos #2
Capuchos #2

Fiquei também deslumbrada com a cor e a textura da compota. O tomate capucho, ou os capuchos são outra forma de designar o physalis, que eu prefiro. Gosto da palavra capuchos, faz lembrar a minha terra natal, onde são assim apelidados. Sou açoreana de nascimento e também de coração, apesar deste blogue ainda não se ter referido a essa minha outra paixão que divido com o Porto, cidade que me acolhe no dia a dia e que eu também amo.

Capuchos #3
Capuchos #3

Camus tem uma frase sobre a felicidade que me apetece aqui partilhar, neste contexto dos amores:

Sentir os laços com a terra, o amor por alguns homens, saber que há sempre um sítio onde o coração encontrará o seu acordo, eis algumas certezas para a vida de um homem. (…) O que é a felicidade se não o simples acordo entre um ser e a sua existência?

Por acordo podemos entender amor, amor por aquilo que nos rodeia e que cruza a nossa existência, este sentimento de pertença a alguma pessoa, a alguma ideia, a alguma coisa ou como disse aqui, a algum lugar, vai enquadrar a vida que temos numa passagem mais feliz e suportável. Como nos mostra Camus, o absurdo sem o amor, o absurdo sem a solidariedade, sem esta felicidade que se traduz neste acordo, leva-nos a um beco sem saída, ao nada, à auto-destruição e à destruição dos outros. Veja-se o racionalismo desapegado do herói d’ A Queda ou de um Calígula na peça com o mesmo nome e que se baseia na história deste imperador romano. Avisos que Albert Camus nos deixa e que se mantêm atuais, porque estes perigos estarão sempre em aberto e em qualquer altura da História Universal, se nos descuidarmos, podem regressar.

Capuchos #4
Capuchos #4

O physalis ou tomate capucho, como este último nome indica, é da famíla do tomate, da batata, do pimentão e das pimentas. Tem uma cor que varia entre o amarelo e o laranja, e é envolvido por uma casquinha de folhas secas. É cultivado em vários continentes como o americano, o europeu e o asiático. No Japão chamam-lhe hosuki e na Colômbia uchuva. Nomes estes que também gosto. E é um fruto que tem propriedades muito boas para a nossa saúde. Como o tomate, é um ótimo purificador do sangue, fortalece o nosso sistema imunológico, alivia as dores de garganta e controla o nosso colesterol entre outras potencialidades que podem ser consultadas aqui.

Capuchos #5
Capuchos #5

E agora, a receita. Vão ficar contentes com a sua simplicidade.

INGREDIENTES

800 g de capuchos

700 g de açúcar

sumo de 1 limão pequeno ou 1/2 limão grande

2 frascos médios esterilizados

COMO SE FAZ

Comecei por esterilizar os frascos e as suas tampas em água a ferver durante 15 minutos. Descasquei e pesei os capuchos. Escolhi uma panela grossa para o doce não queimar ao fundo do tacho e coloquei lá dentro todos os ingredientes em lume brando. Quando sentirmos que as bolinhas amarelas se desfazem facilmente com a pressão da colher, levamos o preparado ao liquidificador, ou usamos a varinha mágica para reduzir os capuchos a uma calda grossa. Algumas receitas não referem o passo seguinte, mas eu li algures que passando este preparado por um coador vamos libertar-nos de grande parte das grainhas, atingindo assim uma textura mais delicada. Foi o que fiz. Esta calda, já sem grainhas, vai outra vez a lume brando até atingir o ponto estrada, que se consegue quando num prato colocarmos um pouco do doce e passarmos a colher ao meio, fazendo uma estrada onde os dois lados assim obtidos não se voltam a unir. Está pronto a ser reservado nos frascos esterilizados. Durará uns meses na dispensa, ao abrigo da luz, e assim que abrir o frasco, conservar-se-á melhor no frigorífico. Uma nota: não se deve encher o frasco, deixa-se livre um dedo e podemos virar o frasco ao contrário e deixar ferver mais 5 minutos para que se conserve melhor.

Capuchos #6
Capuchos #6

Et voilá: podemos utilizar esta compota em bolos, gelados, tartes. Não faltam ideias aí a circular.

Capuchos #7
Capuchos #7

Sugestão de leitura: qualquer livro de Albert Camus, esta frase  aqui citada faz parte do Núpcias.

Um provérbio para finalizar: Comida feita, companhia desfeita. Até à próxima.

Capuchos #8
Capuchos #8
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