FONTE DE SÃO DOMINGOS

Fonte de São Domingos #1

A fonte do Jardim de São Lázaro [Jardim Marques de Oliveira] foi construída para a sacristia do Convento de São Domingos [dele resta-nos hoje uma fachada no Largo de São Domingos]. Uma curiosidade: os seus irmãos tinham fama de serem grandes pregadores, daqueles que mobilizavam multidões com inflamadas palavras. 

A transposição para este Jardim centenário ocorreu no ano de 1838, pouco depois da extinção do Convento de São Domingos. Esta extinção ficou-se a dever a um último incêndio que destruíu o edifício na sua quase totalidade e à vitória do liberalismo.

A inauguração do Jardim Marques de Oliveira data de 1834 [no aniversário da rainha D. Maria II]. Uma inauguração anterior à finalização dos trabalhos de construção. O responsável pela presença física do primeiro jardim público da Cidade [sim, é o primeiro], foi D. Pedro IV, que ordena a sua implementação em 1833, ainda aquando do Cerco do Porto.

As obras estiveram a cargo do primeiro jardineiro municipal, João José Gomes, e do pintor João Baptista Ribeiro, que à época ocupava as funções de director do Museu Municipal, ali vizinho.

A escolha formal passou por um traçado geométrico de canteiros e um pequeno lago central. Em 1869 sofreu transformações que mantiveram esta integridade às mãos do arquitecto-paisagista berlinense, Émille David. Acrescentaram-se então palmeiras e um canteiro com plantas diversas a rodear essa taça de água central.

Não existiam jardins públicos no início do séc. XIX na Cidade do Porto. Os passeios eram os locais de recreio escolhidos pelos portuenses até à aparição destes jardins. Embora fosse o primeiro, o sucesso do Jardim de São Lázaro foi condicionado pelo seu posicionamento e dimensão. As mulheres não se sentiam atraídas por este lugar, deviam sentir-se um pouco constrangidas com os olhares próximos dos transeuntes da Cidade, que passavam ali logo ao lado na rua.

Fonte de São Domingos #2

É conhecido por Jardim de São Lázaro dada a existência nas imediações, no passado, de um hospital para leprosos que tinha como patrono São Lázaro.

Ainda hoje um gradeamento o encerra e separa da rua. Num dos seus lados está inscrita, numa moldura granítica, a Fonte de São Domingos. Majestosa e única, mas que já viu melhores dias [a erosão é implacável]. É uma fonte de mármore de duas bicas que nos oferece uma linguagem barroca, numa decoração vegetalista túrgida e exuberante, muito ao gosto cénico da época em que terá sido construída; numa combinação feliz de materiais que lhe conferem dinamismo e cor [o mármore branco e rosa emoldurado pelo granito, a ardósia no fundo do centro da composição, onde se inscreve o vaso de flores carnudas]; numa clara celebração do universo do claro-escuro, da passagem da sombra à luz.

Fonte de São Domingos #3

O simbolismo da fonte é expresso pela nascente que jorra ao pé da Árvore da Vida: fonte da vida primeiro, da imortalidade e ainda do conhecimento. Pelas suas águas sempre novas, a fonte transporta um perpétuo rejuvenescimento, com as mesmas propriedades das bebidas divinas ou sacrificiais [ambrosia, soma e hidromel]. São fontes de juventude. A água em si mesma é fonte de vida, meio de purificação e de regenerescência. Como símbolo cosmogónico, introduz-nos ao eterno.

Fonte de São Domingos #4

BIBLIOGRAFIA: SILVA, Germano – Fontes e chafarizes do Porto # ANDRESEN, Teresa; MARQUES, Teresa Portela – Jardins históricos do Porto

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