BALÃO

Foi em Dezembro passado que fui iniciada numa arte de voar de forma mais tradicional. Falo dos aeróstatos, ou seja, dos balões. E a propósito, à procura de informação sobre esta maneira de nos elevarmos, fui encontrar um português na história: o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão [1685-1724].

balão #1

Nascido no Brasil, mas português pois aquando ainda da colónia portuguesa, Bartolomeu, embora não tenha calcorreado o espaço na direcção das estrelas nas suas experiências,  é considerado o pai, o inventor dos aeróstatos.

balão #2

Porquê? Houve na história outro homem, outro padre que se debruçou sobre a forma de o homem se elevar no espaço até por razões militares- já nesta altura se pensou a destruição de cidades e barcos através de uma máquina voadora- mas esta ideia ficou-se simplesmente pelo papel. Foi Francesco Lana [1631-1687], um italiano natural de Brescia.

balão #3

Mas, voltando ao nosso português e às suas experiências, diz-se sem qualquer garantia de verdade, que esse pensamento lhe surgiu ao reparar numa bola de sabão que flutuava no ar e que ràpidamente se elevou ao passar sobre um foco calorífico.

 

balão #4

 

Numa vinda a Lisboa, era D. João V o rei de Portugal, resolve informar o monarca das suas ideias, do aparelho que inventara e que era capaz de andar no ar. Novamente a questão dos benefícios militares para a segurança do reino é invocada.

balão #5

Obtido o apoio real para a empreitada, o padre solicita uma quinta, que lhe é concedida, para começar a construir a máquina. Uma quinta em Alcântara. Tinha Bartolomeu de Gusmão 24 anos. Nos primeiros dias de Agosto de 1709 foi efectuada a primeira experiência, malograda pois logo no princípio o balão, da dimensão de um balão de S. João, queimou-se.

balão #6

Havia já nesta altura quem sonhasse em viajar de forma rápida para visitar familiares. Naturalmente estes desejos só pertenciam ainda à família real, disseminada pelas várias cortes europeias. Uma carta escrita por uma princesa austríaca à rainha de Portugal é espelho destas considerações.

balão #7

Dois dias depois do desastre o padre Bartolomeu repetiu a experiência: meio globo de madeira delgada, e dentro trazia um globo de papel grosso, metendo-lhe no fundo uma tijela com fogo material; o qual subiu mais de 20 palmos e, como o fogo ia bem aceso, começou a arder o papel, subindo; e o meio globo de madeira ficou no chão sem subir por que ficou frustrado o intento. E como o globo ia chegando ao tecto da casa, acudiram com paus dois criados da casa-real para evitar o pegar e haver algum desastre, assistindo a tudo Sua Majestade com toda a Casa Real e várias pessoas.

 

balão #8

 

Que o nosso sorriso não seja trocista perante os intentos do Padre Bartolomeu, como o foram as gargalhadas da época sobre a sua passarola, pois efectivamente Bartolomeu Lourenço foi o primeiro a construir uma máquina que subiu através de ar quente. Um êxito que se deve à sua personalidade inquieta e curiosa e persistente.

balão #9

Fonte: CARVALHO, Rómulo de – História dos balões [ed. Atlântida, 1953]

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