GANIMEDES

Ganimedes: Jovem raptado por Zeus, que se terá apaixonado por ele. Ganimedes era o mais belo dos mortais, príncipe da família real de Tróia e descendente de Dárdano (filho de Zeus e de Electra e esposo da filha do rei da Frígia, Teucro, que era por sua vez ascendente da família real de Tróia, atribui-se a Dárdano a construção desta cidade). Ganimedes guardava o seu rebanho numa montanha perto de Tróia – ou Dardânia, quando Zeus o viu e se sentiu inflamado de amor pela beleza do jovem. O deus transformou-se então em águia, agarrou Ganimedes com as suas garras e fez dele, no Olimpo, o escanção dos deuses: deitava o néctar na taça de Zeus.

[in MARTIN, René (dir.)- Dicionário cultural da mitologia greco-romana. Dom Quixote, 1995]

O Rapto de Ganimedes da Cidade do Porto é da autoria de Fernandes de Sá, um discípulo de Teixeira Lopes. Esta estátua encontra-se no jardim da Praça da República e foi  alvo de uma menção honrosa no Salon de Paris em 1898 e no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes em 1902. Chegou inclusivé a obter uma medalha de bronze na Exposição Universal de 1900.

Representante do eclectismo do final do século XVIII, António Fernandes de Sá teve uma obra de valia irregular. O Rapto de Ganimedes conta-se entre os seus melhores trabalhos em conjunto com A Vaga (gesso) que se encontra no Museu Nacional Soares dos Reis. Cita uma outra obra La Sirène de um mestre de Fernandes de Sá em Paris: Puech.

Nesta escultura da Praça da República alia duas superfícies e texturas distintas, uma rugosa no plinto e outra macia na estátua em si. Característica que utilizará mais tarde. A movimentação oblíqua da águia e do próprio Ganimedes é de inspiração maneirista. Ganimedes transporta na mão uma ânfora com a qual presenteava os deuses com o líquido da eterna juventude.

Natural de Vila Nova de Gaia, Fernandes de Sá montou atelier no Porto, após o regresso da capital artística da época, na rua Álvares Cabral e depois na Constituição.

[in PEREIRA, José Fernandes (dir.) – Dicionário de Escultura Portuguesa. Caminho, 2005 ; CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain – Dicionário dos Símbolos. Teorema, 1994]

O Rapto de Ganimedes
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