ABRAÇO

Abraço sufocado

com pingos de chocolate preto

derretidos

em camisas de dormir de flanela

quentes e húmidas;

corpos em trepidação comovida

luz diáfana, muito suave

em contraste com o calor da ocasião.

Abraço partilhado

e escondido dos olhos do mundo

da sua avidez, da sua inveja

da sua incompreensão.

Abraço sentido

dorido até

que se esvazia no silêncio e na solidão.

Abraço que se quer

para sempre

na impossibilidade de o ter

para sempre.

Abraço que resiste

na memória

de quem abraça assim.

# 1

 

# 2

 

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