MURAIS EM PHILADELPHIA

Philadelphia, Philly para os amigos, é considerada a capital dos murais na América. Estando lá, percebe-se logo porquê. Em cada esquina deparamo-nos com um, num muro de uma escola, num muro de uma casa, de uma fábrica, de um viaduto, num muro de uma biblioteca.

Philadelphia 1
Philadelphia 1

Como surgiram os murais em Philadelphia e como são feitos? Para combater o fenómeno do graffiti sem arte (não falo daquele que embeleza, mas das simples assinaturas de parede) que estraga visualmente os edifícios, uma jovem muralista é chamada a Philadelphia para desenvolver um programa de 6 semanas com as populações e artistas locais. Este programa cresceu e ultrapassou as 6 semanas em anos, décadas. Começa assim a aventura de Jane Golden em 1984. Um pequeno exercício que transformou a Cidade para sempre.

Philadelphia 2
Philadelphia 2

O movimento dos murais norte-americanos surge nos anos 60 e insere-se no espírito de activismo político da época. As suas imagens denunciavam problemas urbanos relacionados com drogas e tensões raciais. O movimento espalha-se pois as pessoas começam a compreender o seu potencial.

Os artistas de Philadelphia que trabalham em murais aderiram a um modelo democrático de programa. E aí reside a sua força e o respeito que apela à sua preservação. É um modelo comunitário de arte já desenvolvido nos anos 60 e 70, mas que a cidade adopta e transporta nos seus muros.

Alguns passos são necessários para se realizar uma destas obras de arte pública. A ideia para um mural pode vir de várias fontes, uma comunidade, um fundador, um bairro, o próprio Mural Arts Program (MAP) pode-se interessar por determinada parede, enfim são várias as opções. No entanto, o programa segue à risca determinados passos e é isso que o torna democrático.

1ºPasso: a escolha do muro. Estes não devem ter problemas de humidade e a sua superfície é preferível que seja plana e dócil à tinta. É importante também que o mural seja visto de uma certa distância na sua íntegra e que seja de acesso fácil a todos. Escolhido o local, há que contactar os proprietários.

2ºPasso: procuram-se ideias. Os membros do MAP e os artistas encontram-se com a comunidade onde vai estar inserida a pintura para discutir sobre os temas e o tipo de desenho. Por vezes da parte da comunidade há ideias claras quanto ao projecto, se não, o MAP apresenta portefolios de artistas e imagens de trabalhos passados.

3ºPasso: criar o desenho. O tema já está escolhido. O artista desenvolve um desenho prévio que submete à apreciação da comunidade, chega inclusive a ir de porta em porta mostrar o que elaborou aos moradores. Afinal são eles que irão conviver com ele no futuro numa base diária. Estes encontros dão-se até ao desenho final ser aprovado.

4ºPasso: preparar o muro. Remover restos de outras tintas do passado, tapar buracos, alisar a parede e revesti-la com uma protecção impermeável à água. Um casaco de acrílico é então colocado para proteger o mural dos elementos.

5ºPasso: transferir o desenho para a parede. Num jogo de linhas horizontais e verticais o desenho é composto e dividido, e depois transferido para as proporções da parede também assim dividida no mesmo quadriculado.

6ºPasso: pintar o mural. A maioria dos artistas prefere trabalhar directamente na parede, ultrapassando obstáculos à medida que eles surgem. Algumas deformidades que precisam de ser trabalhadas, escadas, chaminés. Outros artistas podem pintar o desenho em grandes painéis que depois aderem ao muro através de um gel acrílico.

7ºPasso: devolver o muro, artisticamente trabalhado agora, à comunidade. Estes momentos são assinalados com festa, música, comida e bebida, actuações e discursos.

Philadelphia 3
Philadelphia 3

 Por estes passos, assegura-se que as comunidades gostem dos seus murais. Sentem que os representam de alguma forma. Um ideal que almejam, uma personalidade que veneram, uma urbanidade em que estão integrados. Este é o segredo para que estas obras de arte tenham o seu futuro e possam ser apreciadas por muitos anos. Substituem os graffitis e são raras as ocasiões em que são alvo de vandalismo.

Para mais informações ver o site do MAP.

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