PAUL OTLET

Nos seus primeiros trabalhos, Otlet sugere que a literatura poderia ser analisada e isolada em 4 categorias de informação: factos, interpretação de factos, estatísticas e fontes. Um exame minucioso de cada artigo ou capítulo de um livro revelaria a nova (ou não) contribuição para o conhecimento. Em caso positivo, esta informação deveria então ser coleccionada em cartões de dimensões regulares (fichas), subdivididos de acordo com as relações de assunto envolvidas.

 

Para este trabalho classificativo, Otlet e os seus colegas de Bruxelas, desenvolveram um sistema de organização da informação através do aperfeiçoamento e da adaptação da Classificação Decimal de Dewey, nascendo desta feita a Classificação Decimal Universal (CDU), ainda usada nos dias de hoje no acondicionamento dos documentos nas mais diversas bibliotecas.

 

A principal obra literária deste belga, pai da Ciência da Informação, é o Traité de Documentation publicado em 1934. Aqui encontramos um Otlet na maturidade das suas ideias e podemos considerar esta obra como a primeira discussão moderna e sistemática dos problemas gerais da organização da informação, um dos primeiros livros da Ciência da Informação.

 

Propõe que novas formas mecânicas, sistemas integrados de informação, deviam ser inventadas. No entanto, devido aos condicionalismos técnicos do seu tempo, o que polariza a sua atenção na prática é o Princípio Monográfico, sistema bibliográfico que utiliza cartões (fichas) e folhas estandardizados para a recolha da informação de forma sintética, após uma profunda análise.

 

As fichas permitiam-lhe a conservação analítica de unidades separadas de informação, efectivamente aquilo que no hipertexto se denomina de nós, ou seja, pequenos troços de texto. Maiores quantidades de informação poderiam ser acondicionadas em folhas maiores. O termo monografia para os gregos significava uma individual unidade de escrita. Otlet vai recuperar essa origem linguística.

 

Otlet considerava necessária esta estandardização de tamanhos (7.5×12.5 cm, as principais) nestas fichas de unidades informativas devido ao trabalho colaborativo internacional que se pretendia. Todas as instituições e centros albergues e produtores de informação estariam ligados numa rede de trabalho cooperativo, isolando as ideias chave do saber humano nestas fichas e reproduzindo-as para um centro conservador e difusor do saber científico.

 

A CDU era o sistema que estava por detrás da informação. Era a rosa-dos-ventos da informação, o farol do pesquisador, a estrutura que lhe permitiria encontrar o caminho sem se perder.

Paul Otlet
Paul Otlet
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