JOSHUA TREE

Partimos em direcção ao Joshua Tree National Park. Almoçámos uns hamburgers rápidos pelo caminho. Passámos por moinhos de vento gigantes, as turbinas eólicas no Coachella Valley, como os que temos em Portugal, só que em número maior. Percorremos terras de vegetação rasteira e desértica, pontuadas com casas muito horizontais, aqui e ali. Algumas até se confundem na paisagem. Têm o tom rosáceo da própria terra. Uma inclusivé estava pintada com os motivos envolventes.

Até que chegamos ao Parque. Logo quase à entrada, um coiote cruza a estrada e imobiliza-se bem disposto e bem perto do nosso carro, que perante tal acontecimento também parou. E ficou ali uns segundos a sorrir para nós.

No Parque visitámos sobretudo a parte ocidental, onde se encontram as famosas árvores de Josué. Assim baptizadas pelos Mórmones, que quiseram fazer uma metáfora com o momento em que Josué ergue os braços ao céu, pedindo a vitória a Deus.

Em Keys View aguardava-nos uma vista espantosa, mas a luminosidade era demasiado intensa para fotografar com qualidade. Em dias bons pode-se avistar o México. Vimos sim o Mar Salgado, um enorme lago salgado no meio do deserto.

No regresso parámos mais uma vez e eu entusiasmei-me com a câmara e as formas misteriosas daquelas árvores. Ficamos até escurecer. O silêncio invadiu-me à excepção dos disparos da minha Minolta. Isolei-me para concentrar-me melhor no objecto captado e sentir este espaço quase como fazendo parte de mim. Estar atenta aos ruídos e à luz que mudava muito rapidamente, até passar aos tons rosa para depois desaparecer e dar lugar à lua e às estrelas. É quando os animais noctívagos saiem dos seus esconderijos e se preparam para a sobrevivência.

Um casal desconhecido aninhou-se numa pedra a contemplar o pôr-do-sol. E um alpinista aventurava-se a descer um imenso pedregulho. E o silêncio.

Joshua Tree
Joshua Tree
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