VIAJAR NAS PÁGINAS DO BIBLIOCARRO

 Quando a BMAG (Biblioteca Municipal Almeida Garrett) abre as suas portas no âmbito da Porto2001, o Bibliocarro já rodava pela cidade desde 1 de Junho de 2000. Os seus pontos de paragem iniciais foram a Sé, a Cordoaria, o Palácio, o Viso e as Campinas. As estatísticas demonstraram que o seu êxito em número de leitores estava sobretudo confinado ao Viso e às Campinas, dois bairros sociais que aderiram logo ao projecto.

Este resulta de um protocolo entre a Câmara Municipal do Porto e os STCP. A Câmara providenciaria os recursos humanos, 2 técnicos profissionais de biblioteca e um motorista, também o acervo documental e a adaptação do veículo a biblioteca itinerante. Os STCP cederiam o dito autocarro e as suas oficinas para prover à adaptação interior e mecânica do mesmo, sem esquecer a pintura exterior da viatura. Finalmente, à Câmara coube a recolha diária do autocarro e o abastecimento do combustível necessário.

Inicia assim a aventura desta biblioteca itinerante, à semelhança de muitas outras que tiveram como padrinhos espirituais as Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian. Para estas a data inaugural apontada é a de 1958, altura na qual Branquinho da Fonseca inaugura junto com a Fundação Calouste Gulbenkian um serviço de bibliotecas móveis que teriam como ambição abranger todo o território nacional com serviços de leitura e empréstimos domiciliários gratuitos.

O público a quem se destinava primeiramente este serviço encontrava-se sedeado nos lugares mais recônditos e esquecidos daquele Portugal dos anos 50/60. Gradualmente, foram-se instalando algumas bibliotecas fixas aliadas e complementares deste projecto da Gulbenkian, que com a implantação do Programa Nacional de Leitura Pública, a partir de 1987, que visava a construção de bibliotecas modernas segundo o Manifesto da UNESCO, vão constituir os núcleos de alguns acervos dessas novas bibliotecas.

A nova realidade bibliotecária nacional tem-se alterado bastante e o projecto das bibliotecas itinerantes e fixas, promovido pela Fundação foi formalmente extinto em 2002, embora a Gulbenkian continue a promover políticas de promoção da leitura.

A redução e posterior extinção dos bibliomóveis da Fundação Calouste Gulbenkian foram contrabalançadas pelo crescimento do mesmo tipo de serviço das bibliotecas públicas. É nesta realidade que se insere o nosso autocarro.

José Dias, o motorista do Bibliocarro, é o elemento fixo desta extensão da BMAG; o técnico profissional de biblioteca que o acompanha todos os dias vai alternando rotativamente por entre os recursos humanos da BMAG. O autocarro vocacionado para leitores infantis e juvenis, apesar de idealmente servir o público em geral portuense, tem prestado os seus serviços apenas às escolas até ao 1º ciclo.

Tenta-se dar apoio em primeiro lugar àquelas escolas que ou não têm ainda biblioteca ou esta é ainda muito parca em documentos, no entanto, uma questão incontornável tem sido a possibilidade do estacionamento do veículo, um volvo antigo e de grandes dimensões.

Hoje o bibliocarro viaja, de terça a sexta entre as 9:00 e as 15:00. Infelizmente, as bibliotecas municipais do País encontram-se a braços com problemas financeiros, e após o grande investimento inicial, algumas debatem-se com questões de orçamento. A BMAG não foge à regra, e esta realidade reflecte-se igualmente no Bibliocarro.

Em conversa com José Dias, damo-nos conta que o acervo não tem sido renovado, constituindo um problema sobretudo com as obras promovidas pelo Plano Nacional de Leitura. Outro problema prende-se com o desejo não apoiado da Biblioteca facultar Internet dentro do autocarro, nos três computadores de acesso ao público, que além de obsoletos se encontram encerrados.

Na prática, o Bibliocarro empresta livros às escolas e tem uma política de fomento da leitura infanto-juvenil através da Hora do Conto. As animadoras da BMAG deslocam-se às escolas diariamente para contarem estórias.

Em 2006, um grupo de contadores profissionais (actores) desenvolveu um projecto de animação literária no Viso e nas Campinas, financiado pela Primus.

Todos os meses, há um autor em destaque no Bibliocarro e aqui também se expõem os desenhos das crianças sortidos das horas mágicas do conto numa clara evidência de que este espaço se destina a elas e é delas.

Bibliocarro da BMAG
Bibliocarro da BMAG
Anúncios