SÃO BARTOLOMEU NA FOZ

O Cortejo do Traje em Papel regressa este ano a uma quarta-feira, mas no dia do Santo a 24 de agosto. Uma manhã de trabalho para alguns, que não deve impedir os mais entusiastas de rumarem à Foz do Douro para regalarem o olhar nas cores e na boa disposição do desfile que entronca no mar. As imagens são do Cortejo de 2014.

P.S.: As minhas desculpas aos leitores deste blogue, segui uma notícia que apontava a data do Cortejo a 24 de agosto e este veio a realizar-se a 21 de agosto, no horário habitual, um domingo como é sua tradição. Achei estranho ser a uma quarta-feira, mas era possível, sendo o dia do Santo. (21.08.2016)

CARNAVAL EM ALEXANDRIA

Mas o que imprime a sua marca ao Carnaval, o seu espírito enganador, é o dominó de veludo – conferindo aos que o usam o anonimato a que todo o homem aspira no fundo do seu coração. Tornar-se anónimo, no meio de uma multidão anónima, sem revelar nem sexo, nem origem, nem mesmo a expressão do rosto – porque a máscara deste hábito de frade louco só descobre dois olhos, brilhando como os olhos de uma muçulmana ou de um urso. Nenhum traço identificador; nem mesmo o contorno do corpo se desvenda. Seios, coxas, faces – tudo desaparece. E escondido sob o hábito carnavalesco (como um desejo criminoso no coração, uma tentação irresistível, um impulso que parece predeterminado) jaz o germe de qualquer coisa: de uma liberdade que o homem nem sequer se atreve a sonhar. O mascarado sente-se livre de fazer o que lhe aprouver. Todos os crimes impunes da cidade, todos os casos trágicos de confusão de identidade, são o fruto do Carnaval; e por outro lado muitas aventuras de amor se atam e desatam nesses dias em que nos libertamos do selo da personalidade, da servidão das nossas pessoas. Uma vez dentro da opa de veludo, a mulher perde o marido, o marido perde a mulher, o amante a bem amada. (…) Mas engano-me numa coisa – há um elemento que vos permite identificar o vosso amigo ou inimigo: as mãos.

In Baltazar de Lawrence Durrell (Quarteto de Alexandria)

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